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quarta-feira, 22 de maio de 2019

Doenças resistentes a medicamentos poderão causar 10 milhões de mortes por ano no mundo




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Uma pesquisa da ONU revelou na segunda-feira (29) que, até 2050, 10 milhões de pessoas no mundo poderão morrer a cada ano devido a doenças resistentes a medicamentos. Segundo o levantamento, infecções que não respondem a remédios já são responsáveis por pelos menos 700 mil óbitos anualmente. Dessas mortes, 230 mil são causadas por formas de tuberculose capazes de sobreviver a diferentes fármacos.
A análise das Nações Unidas lança luz sobre o fenômeno conhecido como resistência antimicrobiana, isto é, a resistência desenvolvida por agentes causadores de doenças a remédios e substâncias como os antibióticos, os antivirais e os antifúngicos. O relatório aponta que doenças comuns, como infecções respiratórias, urinárias e também infecções sexualmente transmissíveis, estão se tornando cada vez mais difíceis de serem tratadas.
O problema também tem impacto na produção de alimentos, onde o aparecimento de bactérias e microrganismos resistentes pode prejudicar a criação de animais e outros setores agrícolas. De acordo com a pesquisa, o aumento da resistência aos medicamentos poderá provocar danos à economia tão catastróficos quanto a crise financeira global de 2008 e 2009. Até 2030, a resistência antimicrobiana poderá levar 24 milhões de pessoas à pobreza extrema, devido a aumentos com os gastos de saúde e a prejuízos para os sistemas alimentares.
“Estamos em um ponto crítico na luta para proteger alguns dos nossos medicamentos mais essenciais”, afirmou Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Uma das principais causas por trás da resistência antimicrobiana é o uso inadequado e excessivo de remédios, para tratar doenças tanto de seres humanos, quanto de animais da pecuária e de espécies de plantas exploradas pela agricultura. Outros fenômenos que impulsionam o problema são a precariedade das estratégias de prevenção e controle e o descarte inadequado de resíduos oriundos de instalações de saúde, fazendas, indústrias e farmacêuticas.
A pesquisa da ONU afirma que o mundo já está sentindo as consequências dessa ameaça, conforme remédios cruciais se tornam ineficazes. Sem investimento de países ricos e pobres, as gerações futuras enfrentarão os impactos desastrosos de uma resistência antimicrobiana descontrolada. Segundo o documento, esse desafio de saúde pública é também um obstáculo ao cumprimento de muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, incluindo cobertura universal de saúde, alimentos seguros, sistemas agrícolas sustentáveis e água potável e saneamento.
O relatório reconhece que a resistência antimicrobiana é uma questão de saúde humana, animal, alimentar e ambiental — o que exige uma abordagem multissetorial. A publicação recomenda aos países:
  • Priorizar planos de ação nacionais para ampliar os esforços de financiamento e capacitação;
  • Implementar sistemas regulatórios mais fortes e apoiar programas de conscientização para o uso responsável e prudente de antimicrobianos por profissionais de saúde humana, animal e vegetal;
  • Investir em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para combater a resistência antimicrobiana;
  • Eliminar com urgência o uso de antimicrobianos significativamente importantes como promotores de crescimento na agricultura.
“A resistência antimicrobiana é uma das maiores ameaças que enfrentamos como comunidade global. Esse relatório reflete a profundidade e o escopo da resposta necessária para conter sua ascensão e proteger um século de progresso em saúde”, disse Amina Mohammed, secretária-geral adjunta da ONU.
“Não há tempo a perder e eu peço a todas as partes interessadas que ajam de acordo com as recomendações (do relatório) e trabalhem urgentemente para proteger nossa população e planeta, assegurando um futuro sustentável para todos.”
A análise foi produzida pelo Grupo de Coordenação Interagencial da ONU sobre Resistência Antimicrobiana, que reúne organismos como a OMS, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O relatório recebeu contribuições de especialistas não apenas da área de saúde, mas também em sistemas alimentares, comércio, desenvolvimento e meio ambiente.
“Os países podem promover sistemas alimentares sustentáveis e práticas agrícolas que reduzam o risco da resistência antimicrobiana, trabalhando em conjunto para promover alternativas viáveis ao uso de antimicrobianos”, enfatizou o brasileiro e chefe da FAO, José Graziano da Silva.
Monique Eloit, diretora-geral da OIE, afirmou que “a resistência antimicrobiana deve ser enfrentada com urgência, por meio de uma abordagem de saúde única, envolvendo compromissos ousados de longo prazo de governos e outras partes interessadas, apoiados pelas organizações internacionais”.
“Este relatório demonstra o nível de compromisso e coordenação que será necessário ao enfrentarmos este desafio global à saúde pública, saúde e bem-estar animal e segurança alimentar. Todos nós devemos desempenhar o nosso papel para garantir o acesso futuro e a eficácia desses medicamentos essenciais.”








UNFPA destaca avanços e desafios em saúde sexual e reprodutiva nos últimos 25 anos



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Muitos avanços em saúde sexual e reprodutiva foram alcançados no Brasil e no mundo desde a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento e População (CIPD), realizada no Cairo há 25 anos. No entanto, um longo caminho ainda precisa ser trilhado.
O foco nos direitos humanos, a busca por igualdade de gênero e o acesso universal a serviços públicos devem continuar a nortear as ações de governos e da sociedade civil, concluiu o representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Jaime Nadal, durante debate na Universidade de Brasília (UnB) esta semana.
Organizada pela Rede Brasileira de População e Desenvolvimento (REBRAPD), a mesa-redonda promoveu debate sobre os desafios da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e da Agenda 2030 desde a CIPD, que foi realizada no Cairo em 1994.
As análises buscaram pavimentar o caminho do que deve ser debatido mais profundamente no Fórum Político de Alto Nível 2019, que será realizado em julho, em Nova Iorque, para avaliar os avanços e obstáculos do desenvolvimento sustentável no mundo.
Em breve explanação feita aos alunos de Relações Internacionais e convidados, Nadal reforçou que a CIPD representou uma mudança paradigmática na forma como os temas de população e desenvolvimento passaram a ser abordados.
“A partir daquele ano, aspectos que tinham que ficar confinados na esfera do privado, como a reprodução e a sexualidade, passaram a ser elementos alvo de política pública. E os Estados assumiram uma responsabilidade para promover e implementar esses direitos”, explicou.
Nadal destacou, entretanto, que as mudanças não aconteceram por acaso. Na realidade, foram reflexo de discussões anteriores sobre o poder de decisão de todas e todos.
“Foi um processo de longa data que responde a um processo civilizatório. O que estava sendo reconhecido nesta Conferência do Cairo era o direito à escolha: o direito de escolha individual, das mulheres e dos casais sobre se iriam ter ou não filhos, o número e o espaçamento.”

Avanços e desafios seguintes

O representante do UNFPA no Brasil avaliou que, 25 anos depois, há muito a ser celebrado. Conforme último Relatório Sobre a Situação da População Mundial, publicado pela agência da ONU, a despeito dos desafios, existem avanços visíveis.
De forma geral, as mulheres de hoje contam com maior acesso aos insumos em saúde sexual e reprodutiva, especialmente o acesso a anticoncepcionais modernos. As mortes maternas caíram significativamente nas últimas décadas — no Brasil, foram de 88 a cada 100 mil nascidos vivos, em 1994, para 44 em 2015.
Mas o trabalho não está completo e é preciso avançar. O índice de gravidez na adolescência ainda é alto. No país, são 62 meninas grávidas a cada 1 mil, taxa muito maior do que o resto do mundo, que tem uma média de 44 a cada 1 mil. Nadal reforçou a compreensão dos direitos sexuais e reprodutivos como direitos básicos, pilares da busca pelo desenvolvimento sustentável.
“É também uma pauta que tem a ver com a incorporação de setores que ficaram marginalizados, postergados e discriminados historicamente na sociedade por relações de poder determinadas. E essa é a importância do processo do Cairo, quando a humanidade aceitou que para alcançar o desenvolvimento pleno e sustentável seria necessário superar essas questões”, disse.
“Estamos falando de mulheres, da população negra, indígena, adolescentes, jovens, pessoas com deficiência, da população LGBTI. Esses grupos precisam ter direitos assegurados, informações, insumos e serviços para que os direitos humanos, inclusive os direitos sexuais e reprodutivos, sejam plenamente alcançados”, explicou.

Desenvolvimento sustentável

O coordenador da REBRAPD, Richarlls Martins, observou que o diálogo sobre como implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) se faz necessário. “Entendemos que, para a implementar a Agenda 2030, só vamos conseguir com articulação com parceiros estratégicos, como a sociedade civil e as Nações Unidas”, afirmou.
A Agenda 2030 é uma proposta pactuada pelas Nações Unidas globalmente para alcançar o desenvolvimento sustentável. São 169 metas e 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que estão diretamente conectados com o Programa de Ação adotado por 179 países na CIPD.
Conforme a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Enid Rocha, o Brasil tomou para si o compromisso de nacionalizar a Agenda 2030, adaptando as metas para seu próprio contexto.
Das 169, 167 foram consideradas adequadas e apresentadas pelo IPEA ao governo federal, para nortear a elaboração de políticas públicas. “Um dos desafios, agora, é a construção de indicadores nacionais capazes de acompanhar o progresso no alcance das metas. Os avanços estão em etapas”, concluiu.
A CIPD foi realizada na capital egípcia em 1994 e representou um marco histórico e uma mudança de paradigma na abordagem global sobre os temas de população e desenvolvimento. Se antes os objetivos eram exclusivamente demográficos, após a CIPD o foco se tornou a promoção dos direitos humanos, com ênfase no exercício dos direitos reprodutivos e na autonomia das escolhas individuais. O ano de 2019 marca o 25º aniversário da Conferência, cujo documento foi pactuado por 179 países.




terça-feira, 21 de maio de 2019

Escritora e ex-refugiada somali percorre escolas dos EUA para inspirar crianças




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“Eu queria ser a rainha da selva”, sonha a pequena Nasra, protagonista do livro infantil Só É Preciso Um Sim. Como rainha, a menina ajudaria os desabrigados, alimentaria quem passa fome e faria livros brotarem das árvores, para que todos pudessem ler.
Mas o que Nasra descobre é que ela não precisa de uma coroa para fazer a diferença no mundo. “Isso sempre esteve no meu coração”, a menina percebe. “Aqui e agora é onde eu devo começar.”
A mente por trás de Nasra é a escritora Habso Mohamud, uma ex-refugiada da Somália. A vida da autora, de 24 anos, é muito semelhante à de Nasra. Em viagens por todo os Estados Unidos, Habso compartilha as duas histórias, a biográfica e a ficcional, em leituras organizadas para crianças em idade escolar.
A jovem escritora cresceu no campo de refugiados de Dadaab, no Quênia, onde tinha que caminhar 45 minutos para chegar à escola. Habso nunca faltava aula, mesmo quando não tinha dinheiro para comprar comida durante todo o dia.
“O amor pela educação veio de quando eu estava no campo de refugiados”, explica a escritora. “Eu não ia deixar passar aquelas oportunidades, mesmo sendo longe da minha casa.”
Hoje, Habso tem certeza da mensagem que quer transmitir: “Não desista de si mesmo e não desista dos seus sonhos, não importa onde você esteja ou quais são as circunstâncias com as quais você pode se deparar na sua vida”.

Vida nova nos Estados Unidos

Após serem encaminhados pela Agência da ONU para refugiados (ACNUR), Habso, seus pais e nove irmãos foram reassentados para os Estados Unidos em 2005. Apesar dos crescentes níveis de deslocamento forçado em todo o mundo, pouquíssimos refugiados têm a chance de serem reassentados. Do 1,2 milhão de refugiados que precisavam de reassentamento em 2018, apenas 55.692 conseguiram ser realocados.
A família de Habso chegou primeiro a Nova Iorque, no meio do verão. “Não achei que estávamos realmente na América”, lembra a jovem. “Eu me perguntava ‘onde está a neve?’”
Mas a escritora conseguiu aproveitar – e aguentar – a neve por muitos anos, depois que a família resolveu se estabelecer no norte do estado do Minnesota.
Adaptar-se a um novo contexto não foi fácil. Na época do reassentamento, Habso tinha dez anos. Com frequência, a menina se sentia ansiosa e depressiva. “Memórias do campo de refugiados ficavam voltando para mim”, conta a ex-refugiada. Aos 12 anos, Habso começou a fazer terapia — um processo que durou seis anos e incluiu até mesmo uma hospitalização.
“Eu só queria ser como qualquer outra criança”, lembra a escritora. Mas falar sobre saúde mental era um estigma em sua comunidade.
Ao contar suas histórias, Habso busca desafiar estereótipos sobre refugiados e saúde mental. “Não deveríamos encarar (os refugiados) como um peso”, defende a jovem. “Deveríamos dar a eles toda oportunidade possível para garantir que eles tenham outra vida porque eles não escolheram ser refugiados.”
O compromisso de Habso vai além das páginas de seu livro. A jovem se coloca à disposição de crianças nas redes sociais, por e-mail e pessoalmente, para responder dúvidas, encorajar e apoiar meninos e meninas.

Sessões de leitura

Toda vez em que faz uma sessão de leitura, Habso amarra uma bandana vermelha com bolinhas brancas na cabeça, para combinar com a vestimenta de Nasra.
De pé, na frente de um grupo de aproximadamente 20 crianças de 11 e 12 anos, numa escola de Washington, Habso lê em voz alta uma cópia extra grande do seu livro. O tamanho ampliado permitia que o público visse melhor as ilustrações. Uma menina chamada Bridget ouvia com atenção na fileira da frente.
Na página sete, Habso parou para pedir a um estudante que lesse em voz alta a frase: “Nós somos agentes de mudança”.
Quando a autora terminou de ler, as crianças mal se aguentavam para fazer perguntas e saber mais sobre a vida dela. Do que eram feitas as casas no campo de refugiados? Do que ela mais gosta nos Estados Unidos?
Depois da sessão de leitura, a jovem Bridget se aproximou timidamente de Habso, segurando-se para não chorar. Sem ter certeza do que dizer, ela simplesmente abraçou Habso.
A ex-refugiada conversou com a menina e perguntou sobre os seus sonhos. Enquanto Bridget contava que queria criar invenções capazes de ajudar o meio ambiente, Habso autografava uma cópia de Só É Preciso Um Sim. No livro, lia-se: “Para Bridget. Você é inteligente, você é forte, e você pode mudar o mundo”.









Em décimo mês, surto de ebola na República Democrática do Congo deixa 1 mil mortos




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Em seu décimo mês, a epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) deixou mais de 1 mil mortos, levando o secretário-geral da ONU, António Guterres, a disponibilizar apoio de todo o Sistema das Nações Unidas para impedir a propagação do vírus mortal.
Guterres expressou na quarta-feira (8) preocupação com o número de novos casos de ebola no leste da RDC, reiterando o apoio da ONU “aos esforços para acabar com o surto”.
“Com importantes mudanças na resposta sendo implementadas, o secretário-geral enfatizou seu compromisso com uma abordagem coletiva de toda a ONU, tanto em Kinshasa, onde a ONU é liderada por seu representante especial, quanto em áreas afetadas pelo vírus, onde a resposta é liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, disse seu vice-porta-voz, Farhan Haq, em comunicado em nome do chefe da ONU.
Guterres expressou suas condolências às famílias das vítimas e reiterou que envolvimento e engajamento total das populações locais “continuam sendo essenciais para sucesso no controle do surto”.
Ele também pediu para “todos os líderes congoleses trabalharem juntos em todos os partidos e em todas as comunidades para atacar o surto”.
“Em meio a esta conjuntura crítica”, Guterres destacou a necessidade de “recursos adicionais” e pediu para Estados-membros e organizações parceiras “garantirem que as agências de resposta tenham os recursos necessários para ter sucesso”.
Ele também elogiou “a bravura de funcionários humanitários, da segurança e da saúde, que colocaram suas vidas em risco em um ambiente desafiador, marcado por conflito e insegurança”, incluindo ataques contra centros de tratamento e instalações de saúde. No total, mais de 100 mil pessoas foram vacinadas.

Vacinações

Enquanto isso, em meio à violência, especialistas da OMS recomendaram novas Diretrizes de Vacinação contra o Ebola para responder aos desafios na contenção do vírus.
Desde que o surto foi declarado, em agosto de 2018, a OMS afirmou que, apesar do uso de uma vacina altamente eficaz, o número de novos casos continua crescendo. Isto ocorre parcialmente por conta da violência, que impediu que equipes de resposta criassem áreas de vacinação próximas a pessoas em risco de contrair a doença.
“Sabemos que a vacinação está salvando vidas neste surto”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Mas ainda enfrentamos desafios para garantir que os contatos de cada caso recebam as vacinas o mais rápido possível”.
“Estas recomendações levam em conta a insegurança atual e incorporam comentários de especialistas e de comunidades afetadas, o que irá nos ajudar a adaptar a resposta”, afirmou sobre as novas diretrizes.
Entre outras coisas, as novas recomendações endossam abordagens de vacinação por áreas geográficas, quando apropriado; aconselham vacinação de pessoas que podem ter sido expostas, como em bairros onde casos foram relatados dentro dos últimos 21 dias; e ajustam a dose atual para garantir que a vacina continue disponível para pessoas que estão em maior risco de contrair a doença.









segunda-feira, 20 de maio de 2019

Agência da ONU e fundação do Qatar firmam parceria para educar 450 mil crianças deslocadas




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A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Fundação Education Above All firmaram neste mês uma parceria para levar ensino formal a mais de 450 mil crianças em situação de refúgio e deslocamento forçado. Cooperação vai beneficiar jovens em 15 países e deve disponibilizar 100 milhões de dólares para garantir que meninos e meninas estejam matriculados em escolas.
Em visita a Kuala Lumpur, capital da Malásia, o chefe do ACNUR, Filippo Grandi, e a fundadora e presidente da Education Above All, a sheika Moza bint Nasser, do Qatar, conheceram um dos 131 centros de aprendizagem que as duas organizações já operam na nação asiática.
“É claro, pelo que eu vi aqui na Malásia, que a educação básica de qualidade pode realmente mudar a vida de uma criança”, disse Moza bint Nasser, apoiadora dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
“Equipar os refugiados com conhecimento e habilidades significa que eles poderão ser um ganho para seus países anfitriões e depois (poderão) apoiar a reconstrução de seus países de origem. Tenho orgulho do trabalho que está sendo feito aqui e agradeço à Malásia e ao seu povo por ajudar essas crianças a terem um futuro melhor.”
Em 50 países, a Fundação Education Above All e seus parceiros oferecem educação para mais de 7,5 milhões de crianças que estão fora da escola. Em torno de 2,3 milhões desses jovens são refugiados ou deslocados internos.
Na Malásia, país que acolhe mais de 167 mil refugiados, a organização ajuda mais de 9,4 mil crianças em situação de refúgio a frequentar centros de ensino. Mesmo com a assistência da instituição, mais de 6 mil crianças refugiadas, em idade para frequentar a educação básica, ainda estão fora da escola.
Moza bint Nasser lembrou que, no mundo, existem mais de 4 milhões de crianças refugiadas sem acesso à educação. “Peço que mais parceiros se apresentem. Todos nós precisamos fazer nossa parte para colocar mais crianças em salas de aula – que é o lugar delas.”
Filippo Grandi ressaltou que “a educação não apenas ajuda crianças a se recuperarem (de traumas associados ao refúgio), mas também estabiliza famílias, ajuda na integração local e dá esperança para o futuro”.
A nova parceria entre o ACNUR e a fundação terá apoio do Fundo do Qatar para o Desenvolvimento.





ONU alerta para ‘globalização da obesidade’ em reunião do G20




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Em reunião dos ministros da Agricultura do G20, em Niigata, no Japão, o chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, alertou na sexta-feira (11) para o que descreveu como uma “globalização da obesidade”. Atualmente, mais de 2 bilhões de pessoas no mundo estão acima do peso. Mais de 670 milhões delas são obesas.
De acordo com a FAO, a obesidade agrava os riscos de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, problemas cardíacos e algumas formas de câncer. Projeções sugerem que o número de pessoas obesas no planeta deve ultrapassar em breve os 821 milhões de indivíduos que sofrem com a fome. A inversão já foi registrada na América Latina e Caribe.
“A fome é o pior tipo de desnutrição e deve ser enfrentada, mas temos que ter em mente que outras formas de desnutrição, como a obesidade, também estão causando danos cada vez maiores e graves à humanidade”, ressaltou Graziano da Silva na reunião com lideranças do G20.
Para o dirigente, a obesidade deve ser combatida por meio de fortes parcerias público-privadas. “Para abordar os problemas interligados da fome, obesidade e mudanças climáticas, a comunidade internacional precisa introduzir normas e padrões que transformem os sistemas alimentares, de modo que eles forneçam, de maneira sustentável, alimentos saudáveis ​​e nutritivos para todos”, cobrou o chefe da FAO.
O especialista explicou que os atuais sistemas alimentares estão deixando de oferecer às pessoas alimentos saudáveis ​​e os nutrientes necessários em uma dieta adequada.
“Como resultado, as pessoas estão comendo cada vez mais”, disse o dirigente da agência da ONU, que explicou que os atuais desafios de nutrição envolvem não apenas a disponibilidade de comida para todos, mas também a garantia da qualidade no que chega ao consumidor.
Reunião dos ministros da Agricultura do G20. Foto: FAO
Reunião dos ministros da Agricultura do G20. Foto: FAO
“Embora a fome esteja principalmente circunscrita às áreas afetadas por conflitos ou pelos impactos da mudança climática, a obesidade está em toda parte: estamos testemunhando sua globalização”, acrescentou Graziano.
Oito dos 20 países com as maiores taxas de aumento da obesidade adulta estão na África. No mundo, das 38 milhões de crianças com excesso de peso, na faixa etária abaixo dos cinco anos, quase metade está na Ásia.
Em nível global, o sobrepeso e a obesidade têm um custo exorbitante para a saúde e em perdas de produtividade — os prejuízos são estimados em 2 trilhões de dólares por ano. O montante é equivalente ao impacto do tabagismo ou dos conflitos armados.

Papel das empresas

Na visão da FAO, promover uma boa nutrição e dietas saudáveis ​​não é uma tarefa individual, mas uma responsabilidade pública, que não se limita aos governos.
“Somente com o envolvimento do setor privado e da sociedade civil esta questão séria pode ser resolvida. Para regulamentar sistemas alimentares sustentáveis ​​para dietas saudáveis, ​​é preciso o apoio da indústria alimentícia”, afirmou Graziano.
O chefe da FAO citou o exemplo do Chile, onde relatos sugerem que a adoção de um sistema mais claro de rotulagem de alimentos levou à redução da obesidade entre crianças.

Inteligência artificial

Graziano disse ainda que são essenciais os avanços em inovação agrícola, capazes de lidar com as mudanças climáticas e apoiar os agricultores familiares. O uso de tecnologias e métodos novos de organização da produção foi considerado fundamental pelo dirigente para garantir o cumprimento, até 2030, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
“Inovar para os agricultores familiares e abordar os fatores que impedem as transições para sistemas agroecológicos diversificados deve se tornar uma prioridade maior. A tecnologia sozinha não pode fornecer respostas para os desafios globais nem capacitar os agricultores familiares, mas pode aumentar as opções e facilitar a implantação de soluções eficazes”, defendeu Graziano.
O especialista lembrou as possibilidades associadas à inteligência artificial, à edição de genoma e às tecnologias de contabilidade distribuída. Segundo o chefe da FAO, é necessário assegurar que a tecnologia atenda aos pobres, visando ao desenvolvimento inclusivo, e seja usada para ensinar as pessoas a lidar com riscos e vulnerabilidades.
Graziano deu o exemplo do Nuru, um aplicativo para smartphone desenvolvido pela FAO em cooperação com a Universidade Estadual da Pensilvânia para lidar com a rápida disseminação da lagarta do outono. Essa praga apareceu pela primeira vez no oeste da África, em 2016, e depois se espalhou rapidamente por todos os países da África Subsaariana, infectando milhões de hectares de milho e ameaçando a segurança alimentar de mais de 300 milhões de pessoas.
“O Nuru é baseado no aprendizado de máquina e em inteligência artificial. Ele é executado dentro de um telefone Android padrão e pode funcionar também offline”, explicou o dirigente da agência da ONU.
“Com o Nuru, os agricultores podem segurar o telefone ao lado de uma planta infestada, e o aplicativo pode confirmar imediatamente se a lagarta causou o dano. Eles podem tomar medidas imediatas para destruí-la e impedir sua disseminação.”






sexta-feira, 17 de maio de 2019

UNICEF garante assistência médica e nutricional para crianças venezuelanas em Roraima




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Com um ano e nove meses, Nelwin Torres vive correndo e brincando com os primos e tios pelo abrigo Janokoida, para venezuelanos indígenas, em Pacaraima (RR). Entre um jogo e outro, o menino para um pouco para mamar ou comer algo feito pela mãe, Silviane Garcia, de 21 anos.
Quem vê Nelwin hoje não imagina que, há seis meses, quando a equipe de saúde e nutrição do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da ADRA Brasil conheceu o menino, a situação era bem diferente. Na época, ele não andava e tinha parado de engatinhar. O garoto não brincava e não tinha força para comer.
O menino venezuelano veio para o Brasil com a família em setembro de 2018. Indígenas da etnia warao, eles viviam na região de Delta Amacuro, na Venezuela. Logo após completar um ano, Nelwin ficou doente e começou a perder peso. Embora não tenha sido diagnosticado, os sintomas indicavam uma gastroenterite.
“Ele estava brincando um dia no chão e acabou comendo lixo. Depois disso, ficou muito doente, com vômito, diarreia e febre. Ele era forte, mas deixou de comer, parou de engatinhar e perdeu bastante peso. Fiquei muito preocupada e com medo de que ele morresse. Quando isso aconteceu, viemos para o Brasil”, conta a mãe de Nelwin.
O bebê Nelwin agora brinca com outra crianças warao no abrigo onde mora, em Pacaraima (RR). Foto: UNICEF/Inaê Brandão
O bebê Nelwin agora brinca com outra crianças warao no abrigo onde mora, em Pacaraima (RR). Foto: UNICEF/Inaê Brandão
Foi no início de novembro de 2018 que a equipe do UNICEF e da ADRA, formada por enfermeira, nutricionista e monitores de saúde, teve o primeiro contato com Nelwin. O menino estava com um peso muito baixo para a idade, sofria com desidratação e tinha sinais de perda de gordura corporal e de deficiências nutricionais. O risco para uma criança nessa situação é o retardo no desenvolvimento físico e cognitivo. Em casos mais graves, há chance de evolução do quadro para a desnutrição aguda, que oferece risco à vida.
O acompanhamento diário da equipe começou a reverter o cenário. O menino foi encaminhado ao médico, a carteira de vacinação foi atualizada e remédios antiparasitários foram administrados. Também foi oferecida uma suplementação em sua dieta, com o auxílio da Prefeitura de Pacaraima e com o uso do NutriSUS, que faz parte da estratégia de fortificação alimentar com micronutrientes do governo federal brasileiro.
Para evitar novas ocorrências de diarreia e vômito, os profissionais de saúde explicaram os cuidados de higiene que deveriam ser tomados com o bebê. Os agentes enfatizaram para a família de Nelwin a necessidade de atenção com a limpeza do menino e do ambiente em que ele vive, com a água e com os alimentos preparados para ele.
Com apoio nutricional, Nelwin superou a perda de peso e voltou a ser uma criança ativa. Foto: UNICEF/Inaê Brandão
Com apoio nutricional, Nelwin superou a perda de peso e voltou a ser uma criança ativa. Foto: UNICEF/Inaê Brandão
O esforço de Silviane e da família foi essencial para a recuperação de Nelwin. É com alegria que ela conta as aventuras que o menino vive hoje no Janokoida. “Agora ele corre tanto que cai e se bate, brinca e acaba brigando com as outras crianças, mas prefiro ele assim, ativo, do que como era. Antes ele só dormia, tinha que acordá-lo para comer, agora tenho que correr atrás dele para dar comida porque ele sai brincando por aí. O que quero para meu filho é isto: que ele siga adiante.”

Para cada criança, saúde

Nelwin é uma das 280 crianças indígenas atendidas pela equipe de saúde e nutrição no Janokoida. Uma vez realizada a avaliação nutricional, os casos de crianças com baixo peso, com muito baixo peso ou que estão acima do peso são encaminhados para os serviços de nutrição municipais e passam a ser acompanhados de forma mais contínua.
Os profissionais também garantem para todas as crianças do abrigo o direito ao acesso à saúde no Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde. Todos os meninos e meninas do abrigo estão com a vacinação em dia.
Além do Janokoida, a parceria na saúde do UNICEF e da ADRA Brasil atende a oito abrigos para venezuelanos em Roraima. O programa beneficia cerca de 2,5 mil meninos e meninas.
O projeto de saúde e nutrição implementado pelo UNICEF em Roraima é possível por meio do trabalho de seus parceiros e por meio do financiamento do Escritório de População, Refugiados e Migração do governo dos Estados Unidos (BPRM/USA) e do Fundo Central de Resposta à Emergência das Nações Unidas (CERF).





Após 40 anos de ministério, pastor de megaigreja renúncia o cristianismo



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Dave Gass, um ex-pastor de mega-igreja que recentemente liderou o Grace Family Fellowship em Pleasant Hill, Missouri, renunciou à sua fé cristã, descrevendo a Igreja como um sistema repleto de abuso que lhe causou “rupturas mentais e emocionais”.
Um representante de sua antiga igreja, no entanto, acusou-o de ser um adúltero impenitente.
Gass supostamente fez seu anúncio em uma série de tweets agora protegidos, mas não antes de serem copiados e compartilhados em várias plataformas de mídia social.
Depois de 40 anos sendo uma seguidor devoto, 20 deles atuando como pastor evangélico, estou me afastando da fé. Mesmo que esta tenha sido uma enorme queda de bomba em minha vida, tem sido décadas em construção”, ele começou no tópico antes de passar a comparar as Escrituras com a mitologia grega.
Quando eu estava na oitava série e estava lendo mitologia grega, percebi o quanto as interações sobrenaturais entre a divindade da Bíblia e a humanidade soavam como mitologia antiga. Essa semente da dúvida nunca foi embora”, disse ele.
Ele explicou como ele foi criado em um lar cristão “hiper-fundamentalista“, onde o cristianismo “não funcionou. As promessas estavam vazias. As respostas eram mentiras.
Curiosamente, embora ele afirma que ele nunca teve uma fé salvadora, ele escolheu passar a vida ensinando as Escrituras, pregando a Palavra de Deus e proclamando aquilo em que ele diz não acreditar.
Eu estava totalmente dedicado a estudar as escrituras. Acho que perdi talvez 12 domingos em 40 anos. Eu havia memorizado completamente 18 livros da Bíblia e estava lendo a Bíblia pela 24ª vez quando fui parei.”, escreveu ele.
Nada disso, no entanto, ajudou seu casamento.
Quando adulto, meu casamento era uma farsa e uma fonte constante de dor para mim. Eu fiz tudo o que eu deveria fazer – oficinas de casamento, aconselhamento, leitura bíblica juntos, encontros noturnos toda semana, livros sobre casamento – mas meu casamento nunca se tornou o que me foi prometido ”, disse ele.
Ele passou a discutir o quão miserável sua vida acabou se tornando como suas expectativas, incluindo a experiência do sobrenatural que não conseguiu se igualar à realidade que ele estava vivenciando.
Uma realidade inescapável a que cheguei foi que as pessoas que mais se beneficiavam da religião organizada eram as que assistiam marginalmente e não levavam isso muito a sério. As pessoas que eram devotas eram as mais infelizes, mas continuavam tentando com mais afinco”, disse ele.
… Todo o sistema está repleto de abuso. E não apenas de cima para baixo, com certeza existem líderes da igreja abusivos, mas os líderes da igreja também são abusados ??por seus fiéis. As pessoas da igreja são muito boas umas para as outras ”, continuou ele. “Passei minha vida inteira servindo, amando e tentando ajudar as pessoas em minhas congregações. E as mentiras, a traição e a calúnia que recebi nas mãos das pessoas da igreja deixaram feridas que nunca podem curar ”.
Ele disse que lutou tanto com sua experiência na igreja que começou a afetar sua saúde mental e, finalmente, física.
Essa enorme dissonância cognitiva – minhas crenças não combinando com a realidade – criou uma separação entre minha cabeça e meu coração. Eu estava me acendendo para ficar na fé. Por fim, não consegui mais manter a fachada, comecei a ter rupturas mentais e emocionais. Meu estresse interno começou a aparecer em sintomas físicos. Ser pastor – um cristão profissional – estava me matando ”, revelou Gass.
Eventualmente eu puxei a alavanca e soltei a bomba. Carreira, casamento, família, posição social, rede, reputação, tudo desaparecido em um instante. E sinceramente eu não pretendia me afastar completamente, mas a maneira como a igreja se voltou contra mim me forçou a sair permanentemente”, disse ele.
Ele pediu desculpas a seus antigos seguidores e disse que ainda ama aqueles que escolhem dispensá-lo como um “apóstata”.
Para aqueles de vocês que querem gritar comigo, tudo bem. Eu sei que muitos vão me chamar de apóstata, dizer que eu nunca fui realmente salvo, que eu era um lobo em pele de ovelha, e que um inferno mais quente me espera. E para você eu digo que te amo. Meu coração está sensível para você ”, disse ele.
“Para aqueles que estiveram em minhas congregações ou sob meu ensinamento / pregação, peço sinceras desculpas. Eu pensei que estava certo. Eu pensei que estava fazendo a coisa certa. Eu pensei que poderia fingir até conseguir. Eu estava errado. Eu sinto Muito. Eu te amo ”, ele acrescentou.
Justin Thuttle, um diácono da Grace Family Fellowship Church, afirmou no Twitter que Gass não estava totalmente informado sobre sua jornada de fé e o rotulou como um pecador impenitente.
“Sim, ele era meu pastor quando ele ‘se afastou’. Ele na verdade apenas dormiu com uma mulher casada (sic) na igreja e foi pego. Ele nunca se arrependeu e eles ainda vivem juntos”, escreveu em um tweet na última quinta-feira .
No ano passado, todas as informações vieram à tona. O caso aconteceu por quase um ano antes de ser descoberto. Então a parte “Eu fiz tudo certo no meu casamento” foi meio engraçada até que eu vi quantas pessoas gostaram da história dele“, disse ele.
O Christian Post entrou em contato com a igreja para mais comentários na terça-feira e um representante que pediu para falar anonimamente disse que a resposta de Thuttle é precisa.
A contribuição de Justin é correta. Eu apenas acrescentaria que, até onde sabemos, nenhuma das  igrejas onde Gass estava na equipe eram megaigreja. E depois que ele renunciou, cortou todas as comunicações com alguém da Grace Family Fellowship“, disse o representante.

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